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Mobilidade e meio ambiente vão ganhar com os sistemas BRT

A reestruturação dos transportes públicos urbanos, tanto na concepção dos sistemas quanto dos veículos utilizados, pode ser uma das melhores ferramentas para resolver o problema da mobilidade urbana do país. Uma ação como essa também contribuiria para a economia de energia e a redução da poluição atmosférica, especialmente se for priorizada a implantação de sistemas que ofereçam melhor qualidade e com tecnologias limpas.

Nessa perspectiva, a NTU apresentou ao Ministério do Meio Ambiente algumas propostas do setor de transporte urbano por ônibus para a melhoria de dois importantes entraves das grandes cidades brasileiras: a mobilidade e a poluição. Estudos, pesquisas e análises encomendadas pela entidade indicam que a implantação do sistema BRT (Bus Rapid Transit – transporte rápido por ônibus) é o que apresenta maiores vantagens na solução dessas problemáticas.

De acordo com os estudos “Perspectivas de Alteração da Matriz Energética do Transporte Público por Ônibus” e “Avaliação Comparativa das Modalidades de Transporte Público Urbano” (ambos disponíveis no site da NTU), a implantação de corredores de transporte coletivo surge como uma excelente alternativa por diversos motivos (confi ra o quadro ao lado). Além disso, o aumento da velocidade de tráfego e a otimização da frota propiciam uma redução importante das emissões de CO2, HC e NOx.

Especialistas elegeram o BRT, dentre as possíveis alternativas avaliadas, devido ao custo de implantação, prazo, retorno do capital investido, redução do impacto ambiental e retorno social. A proposta de um programa nacional de BRT baseia-se na seguinte estimativa:"se as 40 maiores cidades brasileiras, cada uma com dois eixos servindo 150 mil pessoas por dia decidissem pela implantação de sistemas BRT, isso resultaria na expressiva melhoria da qualidade de vida de 12 milhões de brasileiros a um custo de 5,6 bilhões de investimento público em construções sem desapropriação e mais 3,2 milhões de investimentos privados para aquisição de 5.360 ônibus articulados ou 3.200 ônibus biarticulados".

PLANEJAMENTO CONTRA A POLUIÇÃO

O modelo de crescimento da maioria das cidades brasileiras resultou em redes de transporte operando com grande desperdício de tempo e de custo e no acúmulo de um passivo ambiental, agravado pelas políticas de incentivo à aquisição e uso de veículo individual. O custo desses deslocamentos em termos de tempo, poluição, acidentes e investimentos é gigantesco e, em geral, desfavorável à mobilidade da população.

Segundo dados da Associação Nacional dos Transportes Públicos (ANTP), o transporte coletivo por ônibus apresenta taxas muito menores de emissão de poluentes do que outros modais. Por passageiro - quilometro transportado, as motocicletas apresentam taxas de poluição 32,3 vezes maior que os ônibus, enquanto os automóveis poluem 17 vezes mais.

Um estudo tendo como base as 457 maiores cidades brasileiras verificou uma tendência crescente do número de deslocamentos. Ou seja, as 160 milhões de viagens por dia que a população demandou (em todos os modais de transporte) em 2005 devem superar a casa dos 250 milhões em 2030.

Essas projeções mostram a necessidade de aumentar a oferta de transporte coletivo de boa qualidade para receber essa futura demanda e frear o crescimento do uso de automóveis e motocicletas, que já saturam as vias públicas e causam a maior parte do impacto sobre a qualidade do ar nas grandes cidades.

MOBILIDADE SUSTENTÁVEL

A poluição do ar, a geração de calor e a demanda de energia convergem para a necessidade de uma política nacional de transportes públicos que combine as melhores alternativas ambientais e energéticas. As possibilidades para atendimento a essa política passam pela análise de três fatores: • tecnologias dos veículos • tipo de fonte de energia • distribuição da rede de transportes

A evolução tecnológica já defl agrada pelo PROCONVE - Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores vem propiciando reduções signifi cativas na emissão de material particulado. Mas já se faz necessária uma revisão dos limites de emissão, pois precisam ser ainda menores especialmente para as frotas urbanas.

As tecnologias que atendem limites mais arrojados estarão disponíveis a partir de 2012, inclusive são esses modelos de ônibus que vão circular nos BRT. Mas a adoção requer que o país disponibilize combustíveis com teor de enxofre ultra baixos. O diesel S-50 (com 50 partes por milhão de enxofre) só passou a ser comercializado no Brasil em 2009 e atende a menos de 10 cidades brasileiras. A Europa, parão que seguimos, já está adotando o S-10, que só deve chegar ao país em 2013.

A tabela acima resume os requisitos de tecnologia e de qualidade de combustível necessários para reduzir as emissões no Brasil, comparados com as fases dos programas nos EUA e na Europa.

A proposição de implementar sistemas BRT em escala nacional torna-se uma alternativa realista e viável para a solução dos problemas citados. Inclusive, esses projetos já possuem metodologia aprovada para avaliação e enquadramento nos processos de habilitação para recebimento de créditos carbonos, o que se alinha à atual política ambiental brasileira. A criação de linhas de crédito para o fi nanciamento da renovação de frota e infraestrutura é ponto central para viabilizar um plano nacional como o proposto.

 

Autor: NTU

NTU URBANO - Edição N° 150 - Fevereiro/2010

 

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