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Ônibus rápido e de qualidade

Pioneiro na concepção do brt, brasil pode espelhar em si mesmo para projetos por um sistema de transporte público melhor

Todos os dias cerca de 32 milhões de automóveis congestionam as vias urbanas do Brasil. Com a redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), concedida pelo governo federal à indústria automobilística neste ano, as estatísticas de carros nas ruas só tendem a aumentar. E com elas, os congestionamentos, a poluição, a queda na produtividade e os desperdícios de combustível e horas de trabalho.

Um estudo realizado pelo Citigroup, com base em dados da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) e da Associação Internacional de Transporte Público (UITP), avalia que o principal motivo de piora no trânsito nas grandes cidades é o excesso de veículos. O fator é comum a todas as cidades problemáticas. O levantamento acrescenta que o trânsito resulta em uma perda de 5% na produtividade do Brasil. Os prejuízos econômicos chegam a bilhões de reais.

Há décadas que os países desenvolvidos veem buscando uma solução para esse caos. Uma mobilidade urbana eficiente, segura e confortável passou a ser sinônimo de excelência em qualidade de vida. A alternativa mais aclamada e copiada foi encontrada aqui mesmo, mais especificamente no sistema de transporte público de Curitiba, no Paraná, que implantou em 1974 um modelo hoje conhecido mundialmente: o BRT (Bus Rapid Transit, em tradução Sistema Rápido de Ônibus).

O BRT basicamente segue as características de desempenho e conforto dos modernos sistemas de transporte sobre trilhos, mas a uma fração do custo. Ele incorpora os aspectos mais valorizados pelos usuários de VLT e metrô e torna esses atributos mais acessíveis para um número maior de cidades.

Sistemas de “BRT Completo”, incluindo todas as características de alta qualidade, só foram desenvolvidos em Curitiba e Bogotá (Colômbia). Outros sistemas avançados podem ser conferidos em Jacarta (Indonésia), Quito (Equador), Brisbane (Austrália), Ottawa (Canadá) e Rouen (França).No total, 80 cidades nos seis continentes já implementaram sistemas BRT.

Um sistema completo

Na visão do usuário do ônibus, um sistema competitivo com o carro é aquele que consiga apresentar vantagens similares quanto ao tempo total de viagem, ao conforto, ao custo e à conveniência. Esse é o principal desafio do sistema de transporte público e a principal vantagem do BRT: a baixos custos, é possível atender a todas essas expectativas ideais do passageiro.

Ao se implementar um sistema BRT compra-se um conceito. Não é apenas um ônibus novo, uma via segregada ou infraestrutura acessível. Tudo torna-se essencial ao conjunto. Conseguir uma alta capacidade e uma alta velocidade depende de uma série de características de projeto operacional,como múltiplas posições de parada nas estações, serviços expressos e de poucas paradas, veículos articulados e com múltiplas portas, pagamento e controle de pagamento fora do ônibus, bons espaços nas estações, entre outros.

Curitiba se transformou em uma cidade de sucesso urbano, renomada em todo mundo, após a implementação do BRT. Junto a ele vieram projetos sociais inovadores, zonas de pedestres e espaços verdes. Muitas outras cidades brasileiras seguiram o exemplo com sistemas básicos, como São Paulo, Porto Alegre e Belo Horizonte. O sistema BRT de São Paulo é atualmente o maior do mundo com 142 quilômetros de vias de ônibus exclusivas atendendo mais de 2 milhões de viagens todos os dias.

O maior sucesso internacional de BRT está em Bogotá, na Colômbia. O Transmilênio, inaugurado em 2000, engloba 84 quilômetros de corredores troncais e 420 quilômetros de linhas alimentadores. Hoje o sistema atende por dia 1,2 milhão de viagens. Quando o sistema inteiro estiver completo, previsto para 2015, estima-se que 5 milhões de viagens serão atendidas em uma rede de 380 quilômetros.

O CONCEITO

O sistema BRT não propõe apenas uma mudança na frota ou na infra-estrutura do transporte público coletivo. Mas sim um conjunto de mudanças que juntas formam um novo conceito de mobilidade urbana. Para se implementar um BRT, todos esses fatores devem estar integrados a serviço da sociedade.

  • Planejamento e Design

Soluções BRT são integradas de forma consistente em conceitos urbanos globais que adquirem um visual único.

  • Terminais e pistas exclusivas de ônibus

Otimização nos traslados para os passageiros e capacidade máxima de transporte são a referência de uma solução eficiente.

  • Integração das malhas de transporte

Malhas de transporte já existentes e as novas formam juntas a base para um sistema viário bem coordenado.

  • Disponibilidade de veículos

Conceitos de serviços adequados para o operador e um fabricante de veículos de alto desempenho asseguram a elevada confiabilidade da frota de ônibus.

  • Operação

Informação aos passageiros de fácil entendimento, bem como gestão de tráfego e de frota em tempo real trazem o foco das soluções BRT às necessidades dos passageiros.

  • Soluções de financiamento

Um conceito definido de tarifas e distribuição da receita entre os operadores constitui o fundamento para financiamento e rentabilidade operacional.

Bom investimento

Além da modernidade e excelência que o serviço oferece tanto à cidade quanto aos seus usuários, outro atrativo é o custo de implantação. O sistema custa tipicamente de 4 a 20 vezes menos do que um sistema de bondes ou veículo leve sobre trilhos. Estima-se que 1 km de BRT é cerca de 10 a 100 vezes menor que o custo de implantação da mesma extensão de um sistema metroviário subterrâneo (10 milhões de dólares no caso do BRT e, no mínimo, 100, no caso do metrô). Além disso, o tempo de implantação de um BRT é cerca de 2/3 menor, quando comparado a um sistema metroviário, e cerca da metade ao necessário para um sistema do tipo VLT ou “bonde moderno”.

Para o professor do Programa de Engenharia de Transportes da Universidade do Rio de Janeiro (COPPE/UFRJ) Ronaldo Balassiano, a questão dos custos e do tempo de implantação facilitam a formação de parcerias do tipo público privada - PPP (menor investimento inicial aliado a um menor tempo de implantação). Ele ressalta ainda a possibilidade de utilização de combustíveis alternativos nesse tipo de sistema, como gás natural e biocombustíveis.

“A adoção desse modelo evidenciou um conjunto de benefícios: redução do tempo de viagem e da espera nos pontos de parada; maior confiabilidade no sistema, pois o usuário sabe, por meio de painéis informativos, em quanto tempo estará disponível o próximo ônibus; maior conforto e menor impacto ambiental (o Transmilênio contribuiu para reduzir em 90% o número de acidentes fatais no trânsito e em 40% o nível de emissão de poluentes); revitalização do espaço público e valorização imobiliária”, afirma Balassiano em artigo publicado recentemente.

Outra vantagem competitiva do BRT é o fato de não necessitar de subsídios públicos para sua operação, ao contrário dos metrôs. Já o desempenho operacional pode ser comparado ao metrô, visto que os intervalos entre ônibus podem variar de 30 a 60 segundos. Atualmente, no mundo, existem mais de 80 cidades com sistemas de BRT implantados, inspirados em Curitiba, entre elas Los Angeles, Cidade do México, Seul e Bogotá.

Para o ITDP (Institute for Transportation & Development Policy), a dificuldade em prover uma definição precisa de BRT deriva da ampla variedade de sistemas atualmente. Em vez de apresentar um conjunto claro de qualidades, os sistemas BRT desenham um espectro de possibilidades. Um BRT de sucesso não apenas transporta as pessoas de um ponto ao outro. Um BRT de sucesso evoca um sentimento de confiança nos seus usuários, cria um senso de orgulho comunitário e ajuda a transformar a própria natureza da forma urbana da cidade.

Autor: NTU
NTU URBANO - Edição N° 138 - Fevereiro/2009 

 

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