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Reestruturando o transporte coletivo através do BRT

Por  Luis Antonio Lindau, PhD, diretor do WRI Brasil Cidades Sustentáveis.

O BRT eleva o desempenho operacional de um corredor de transportes e proporciona importantes ganhos aos usuários e à cidade. Apesar dos grandes desafios na concepção, implantação e operação, revela-se como alternativa válida nos mais diversos contextos urbanos . Em Belo Horizonte, por exemplo, o MOVE não só proporcionou ganhos de capacidade, redução nos tempos de viagem e aumento na confiabilidade, como captou 12% de seus usuários do automóvel , percentual semelhante ao alcançado no TransMilenio de Bogotá.

O livro “Reestructuring public transport through Bus Rapid Transit” (Reestruturando o transporte coletivo através do Bus Rapid Transit (BRT), em tradução livre para o português) , lançado apenas em inglês no início deste ano, não tem, como objetivo central, a promoção do BRT, mas procura explorar o potencial do sistema na reestruturação da oferta do transporte coletivo em cidades em desenvolvimento. A publicação, editada por Juan Carlos Munoz e Laurel Paget-Seekins, do Centro de Excelência do BRT , contempla 20 capítulos organizados em três seções.

A primeira seção endereça questões institucionais e a necessidade de capacitar os atores envolvidos no processo de transição do sistema convencional de ônibus para o BRT, como novas regras contratuais e maior participação na definição de tarifas e subsídios. A segunda parte reconhece que as alterações em uma rede de transporte coletivo podem disparar os mais variados conflitos na destinação de mobilidade conferida ao espaço viário. Para os usuários, novos serviços significam novas rotas e isso requer a concepção e implantação de um sistema de informações planejado.

Já a terceira seção trata do projeto e da operação. Qualquer que seja a cidade, a concepção de um sistema de transporte coletivo na superfície requer especial atenção à implementação e ao seu contexto de inserção. O BRT precisa ser entendido como um importante agente de transformação urbana e de avanços tecnológicos no sistema de transportes. A coleta automatizada de dados pode aprimorar o planejamento dos serviços, apoiar a eficiência operacional e também proporcionar informação em tempo real para os usuários. A análise dos dados identifica os fatores que permitem aumentar a demanda, a velocidade operacional, a confiabilidade e a segurança viária.

Frederick Salvucci, ex-Secretário de Transportes de Massachusetts, incentiva o investimento de tempo e energia intelectual na leitura do livro a todos que querem fazer do BRT o agente impulsionador de cidades mais sustentáveis. O enfoque acadêmico e prático, aliado à abordagem interdisciplinar e internacional, conferem ao livro a possibilidade de apoiar tanto pesquisadores quanto técnicos que lidam com a solução de problemas da vida real.

 

Referências:

[1] Brtdata.org  [2]  Dados da Pesquisa de Satisfação, EMBARQ Brasil, 2015. [3] Munoz, J.C., Paget-Seekins, L. (2016) Reestructuring public transport through Bus Rapid Transit. An interational and interdisciplinary perspective. Bristol: Policy Press. [4] Bus Rapid Transit. Across Latitudes and cultures. www.brt.cl

 

Artigo publicado na revista NTU Urbano edição maio/junho 2016.


Fonte: Revista NTU Urbano

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