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Integração tarifária entre BRT e Metrô custará R$ 7

RIO - A partir da próxima segunda-feira, os usuários do metrô que também viajam nas linhas de BRT poderão se deslocar entre os dois sistemas pagando uma tarifa integrada. O preço será de R$ R$ 7 — um desconto de 11,39% em relação ao valor das passagens cobradas em separado: R$ 4,10 do metrô e R$ 3,80 do BRT. O acesso entre os serviços poderá ser feito no Jardim Oceânico (Linha 4, com o BRT Transoeste) e em Vicente de Carvalho (Linha 2, com o BRT Transcarioca). O anúncio foi feito ontem pelo estado e pela prefeitura, um dia após a entrada em operação comercial da Linha 4 do metrô entre a Barra da Tijuca e a Zona Sul do Rio, ainda com horário restrito (das 6 às 21h, de segunda a sexta-feira).

A falta de integração tarifária entre os dois sistemas foi a principal queixa dos passageiros que usaram o BRT Transoeste e a Linha 4 no primeiro dia de operação do serviço, anteontem, quando todos tiveram que pagar R$ 7,90.

INTEGRAÇÃO SÓ VALE PARA ÔNIBUS BRT

A tarifa promocional, no entanto, ainda não atenderá todos os usuários de ônibus da cidade, já que as linhas convencionais não foram incluídas na integração. Assim, caso o usuário precise usar uma linha convencional para chegar até um corredor de BRT e, posteriormente, embarcar no metrô, continuará a pagar os mesmos R$ 7,90.

A secretaria municipal de Transportes não soube informar quantos dos 75 mil usuários (entre pagantes e beneficiários do passe livre) esperados nas integrações com o metrô e o BRT terão que embarcar posteriormente em linhas comuns para concluir a viagem:

— A gente vem evoluindo na reorganização dos serviços de transporte e promovendo integrações. A integração com o BRT e o metrô foi mais um passo — disse o secretário municipal de Coordenação de Governo, Rafael Picciani.

Algumas normas de operação nos dois sistemas foram mantidas. A tarifa de R$ 7 será aplicada se, para chegar às estações de integração do BRT e do metrô, o usuário tiver que fazer uso de serviços do Metrô de Superfície (Ipanema-Gávea e Botafogo-Gávea), bem como nas linhas alimentadoras do BRT. O que muda, no entanto, é o intervalo permitido para fazer uma baldeação entre os dois sistemas. Normalmente, o usuário do Bilhete Único Carioca (BUC) pode fazer uma integração entre dois transportes no intervalo de duas horas e meia, com os próprios ônibus municipais, vans licitadas, VLT (R$ 3,80) e os trens (R$ 6,60). No caso do metrô, o intervalo será de duas horas.

Para ter direito à tarifa única, o passageiro terá que obrigatoriamente ter um cartão Riocard cadastrado com o número de seu CPF. O cadastro pode ser feito no site www.cartaoriocard.com.br e leva até 48 horas para ser validado. Os passageiros que já quiserem ter direito ao benefício na próxima segunda-feira precisam efetuar o cadastro até sexta-feira.

De acordo com cálculos da prefeitura e do estado, a integração tarifária vai assegurar aos usuários uma economia mensal de R$ 39,60 ao mês, o equivalente a R$ 475,20 ao ano. O secretário Rafael Picciani observou que a integração tarifária foi possível graças a um acordo entre os operadores, e não haverá subsídios por parte do poder público. O metrô e o Consórcio Operacional BRT informaram que ainda negociam como será o rateio da tarifa de R$ 7.

O diretor de Operações da concessionária Metrô Rio, Daniel Habib, disse que o sistema tem capacidade para absorver a demanda criada pelas integrações, apesar de a nova linha ainda não estar operando conforme o planejado. O principal argumento é que, durante a Olimpíada, o metrô chegou a transportar nas linhas 1 e 2 cerca de 100 mil torcedores que seguiam para o Parque Olímpico, na Barra da Tijuca.

Atualmente, os usuários da Linha 4 ainda têm que desembarcar na Praça General Osório (Ipanema) caso queiram seguir viagem para alguma estação das linhas 1 e 2. Pelo cronograma atual, apenas no fim do ano as viagens entre as linhas 1 e 4 poderão ser feitas sem a troca de trens em Ipanema. Não está descartado que esse prazo possa ser antecipado. Quando não houver mais o transbordo em General Osório, o tempo estimado de viagem entre o Jardim Oceânico e o Largo da Carioca será de 34 minutos, segundo o site da Linha 4 do metrô. Caso o destino seja a Estação Uruguai (Tijuca), o tempo previsto de deslocamento será de 51 minutos.

 

O secretário estadual de Transportes, Rodrigo Vieira, por sua vez, explicou que, no caso de integrações intermunicipais, o usuário pagará o preço da passagem do Bilhete Único (R$ 6,50) entre dois modais (trem e metrô, por exemplo) mais R$ 3,80 (referente à passagem de ônibus no Rio). Turistas brasileiros de passagem pela cidade também terão direito ao benefício, mediante o cadastramento do CPF, como já vinha acontecendo. Ainda não há previsão de abrir um cadastro para visitantes estrangeiros.

NO PRIMEIRO DIA, 65 MIL PASSAGEIROS

A tarifa integrada BRT-metrô também não está disponível para estrangeiros. O secretário municipal de Transportes, Alexandre Sansão, afirmou que, por enquanto, não ampliará a rede de linhas alimentadoras dos BRTs, porque elas já fazem integrações na Avenida das Américas com o Transoeste (Santa Cruz-Jardim Oceânico), Transcarioca (Alvorada-Aeroporto Tom Jobim) e Transolímpico (Recreio-Vila Militar). Passageiros que pretendem pegar o metrô a partir da orla marítima têm como opção linhas circulares que passam pela praia.

O secretário Rodrigo Vieira e a direção do metrô também divulgaram um balanço sobre o primeiro dia de operação comercial da Linha 4. Na última segunda-feira, 65 mil usuários viajaram no novo trajeto. Desses, 50 mil embarcaram em uma das estações da própria Linha 4, enquanto outros 15 mil se originaram de transferências das linhas 1 e 2. A Estação Jardim Oceânico foi a que registrou o maior movimento, com 15 mil usuários. A capacidade estimada da Linha 4 é de 300 mil usuários. A prefeitura ainda não divulgou qual foi o impacto da abertura na Linha 4 nas vias da Barra e da Zona Sul.

 
 
Fonte: O Globo


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