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Corredor de BRT Norte-Sul ganha mais exclusividade na via

MOBILIDADE Corredor Norte-Sul, que liga o Centro do Recife a Igarassu, já conta com faixa exclusiva em 27 dos 33 quilômetros do percurso

Mas, mesmo assim, o sistema BRT (Bus Rapid Transit) vem ocupando o espaço que já deveria lhe pertencer desde que foi implantado, há dois anos. O Corredor Norte-Sul, que liga o Centro do Recife à cidade de Igarassu e é o mais impactado pela disputa por espaço com os veículos particulares, ganhou mais 2,2 quilômetros de faixa exclusiva na Avenida Pan-Nordestina, em cada sentido, entre o corredor de ônibus da rodovia PE-15 e o Complexo de Salgadinho, em Olinda. Assim, o Norte-Sul passou a ter 27 dos 33 quilômetros de extensão segregados. O ganho é pequeno para ser quantificado, segundo os operadores, mas já é possível percebê-lo na prática, mesmo com as constantes invasões pelos automóveis.


A sinalização horizontal deixa a desejar e o que serve de alerta aos motoristas são as placas indicativas de exclusividade instaladas recentemente em três pontos da via. Não há prazo para implantação de fiscalização eletrônica no trecho.


Segundo a Secretaria das Cidades de Pernambuco, que implantou a faixa, o uso de radares para coibir a invasão é de responsabilidade do município. Vale lembrar que trafegar por faixa e corredor exclusivos de ônibus virou infração gravíssima desde julho do ano passado (R$ 191,54 e 7 pontos na CNH). A meta do órgão estadual, que gastou R$ 66 mil com a sinalização do trecho, é proporcionar ganho de até 30% na velocidade comercial dos BRTs. Atualmente, o Norte-Sul transporta quase 70 mil passageiros em sete linhas, que realizam 637 viagens/ dia.


Operadores do BRT comemoram a ampliação da faixa exclusiva do corredor, mas reivindicam solução definitiva para o trecho localizado na Avenida Cruz Cabugá, uma das mais movimentadas do Centro do Recife e eixo principal das linhas que saem da área norte da Região Metropolitana em direção à capital. O impacto da disputa por espaço que os BRTs travam na via pode ser exemplificado pela linha TI Abreu e Lima (PCR). A viagem entre o TI e o ponto de retorno no Centro leva 1h30 e o veículo perde entre 25 e 30 minutos somente para percorrer a Cruz Cabugá, que tem menos de dois quilômetros de extensão.


FUNIL


 "Vamos pensar na imagem de um funil. O BRT vem em faixa exclusiva, que garante uma velocidade média de 20 km/h. Mais à frente, a via estreita e o ônibus se mistura aos automóveis, reduzindo a velocidade para 6/7 km/h. Com isso, perde todo o ganho obtido na pista exclusiva. A pintura de faixas já é um começo, mas é preciso mais. Até porque o desrespeito dos motoristas à sinalização acontece nos horários de pico, quando o BRT tem maior demanda e necessita desenvolver mais velocidade", argumenta Gibson Pereira, diretor-executivo do Consórcio Conorte, que opera o Corredor Norte-Sul.


Não há previsão, entretanto, de implantação da faixa exclusiva na Avenida Cruz Cabugá. Há menos de um mês, a Prefeitura do Recife informou estar estudando a possibilidade de implantá-la depois de eliminar os dois giros à esquerda existentes na Cabugá, intervenção também sem data certa para sair do papel.


Djalma Dutra, diretor institucional do Consórcio Mobibrasil, que opera o Corredor Leste-Oeste, lembra que a faixa exclusiva, além de premissa do sistema BRT, impacta positivamente em toda a operação. "Se tivéssemos o corredor segregado do TI Camaragibe até a Avenida Guararapes, por exemplo, conseguiríamos reduzir em 30 minutos o tempo de uma viagem de 100 minutos", ressalta.


Em menor extensão, o Leste-Oeste também tem trechos sem segregação na vizinha cidade de Camaragibe, na Rua Benfica (Madalena), no Derby e na Avenida Conde da Boa Vista, onde se mistura com os ônibus comuns.

Fonte: Jornal do Commércio

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